Saúde financeira: como lidar com família que gasta demais?

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A história é conhecida por muitos casais e famílias: o orçamento está apertado, contas no limite mas a poupança ou mesmo o equilíbrio financeiro ficam apenas na promessa. E agora, chegando o fim do ano, fica a pergunta: como mudar este cenário para que a saúde financeira da família flua melhor? E por que esta situação é tão comum principalmente na classe média brasileira?

O primeiro passo a se tomar é justamente a conscientização que os gastos da família estão aquém da renda mensal. Isso pode parecer simples, mas normalmente vejo que muitas famílias estão mal-acostumadas com um padrão que implica em usar o cheque especial ou pegar dinheiro emprestado para mantê-lo. E, definitivamente, para quem quer realizar sonhos e viver com mais tranquilidade isso é incompatível.

Pergunta-se muito sobre como fazer para que os adolescentes gastem menos e reduzam despesas. O fato é que o adolescente simplesmente repete o padrão dos pais, e não porque faz parte de sua índole ser gastador. Crianças também podem ser muito gastadoras se não receberem limites claros. No caso de filhos adolescentes, vale iniciar com uma conversa amigável, sem o tom de dono da verdade – coisa que muitos pais por vezes acabam deixando de lado e tornando a oportunidade quase como uma reprimenda. Nesta conversa, explique com clareza que as contas de consumo – telefone, luz, água, compras de mercado, por exemplo – estão num nível alto em relação à entrada de dinheiro, seja salário ou outras fontes.

Nota-se que é raro o adolescente que tem uma visão clara de quanto as coisas da casa custam pois os pais raramente compartilham dados sobre o preço da escola, da luz, etc. e isso faz com que os filhos acreditem que há um depositário sem fim de dinheiro para bancar tudo isso. E eles não pensam assim por mal, simplesmente porque não foram estabelecidos limites claros no tocante a dinheiro. Mas sempre é tempo.

O mesmo vale para quando os filhos estão habituados a querer somente coisas de marca, mais caras. É válido querer, mas é preciso compreender os limites que existem na sociedade atual. Ninguém pode comprar tudo o que quer na hora que quer, mesmo quando tem recursos para isso, pois antes de tudo quem lida bem com dinheiro tem um controle e planejamento para realização de seus objetivos, portanto nada mais natural explicar aos filhos, ou mesmo ao cônjuge que tem este comportamento que é preciso planejar para depois adquirir e gastar. Isso vale inclusive para o jovem que tem sua mesada e faz compras de impulso, e se este comportamento for modificado desde cedo as chances de uma vida saudável financeiramente serão muito maiores. A pessoa pode comprar seus objetos de desejo contanto que tenha clareza de sua compra e com uso de recursos que não irão gerar problemas futuros para si ou para seus familiares.

Se o gastador é o cônjuge, a conversa franca e direta é fundamental em todos os aspectos da vida conjugal, e quando se trata de dinheiro isso é ainda mais relevante; vale o parceiro tomar a iniciativa de mostrar que as contas da casa estão num patamar, e que o consumo desenfreado ou mesmo não planejado tem afetado não só as contas mas principalmente o emocional de quem está bancando tudo isso. Como forma de começar, use a regra de três para demonstrar ao parceiro o quanto o consumo dele ou dela afeta a renda familiar, por exemplo, se o salário equivale a R$ 100, as despesas com compras de impulso que custam R$ 20 no mês equivalem a 20% do total de dinheiro recebido, o que é muito num orçamento familiar. Desta forma fica mais fácil compreender que R$ 20 parece pouco para quem tem renda de milhões, mas alta relevância numa renda de R$ 100, como é o caso deste exemplo.

Importante lembrar que é preciso mudar o hábito do descontrole de gastos o quanto antes, portanto nada de deixar isso “para outro dia”, ou “para o ano que vem, quando vou começar tudo diferente”. Comece uma nova fase mais positiva e tenha sua família ao seu lado, formando um time de economia e sucesso!

Suyen A. Miranda

Diretora Negócios

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