Na crise, é hora de fortalecer habilidades

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IlustraInterna-1024x734[1]Competências como resiliência, proatividade, engajamento e liderança, entre outras, tornam-se ainda mais apreciadas nesta fase de crise econômica.

Edilaine Felix  e 
Priscila Mengue / ESPECIAL PARA O ESTADO

Profissionais da área de recursos humanos defendem que competências comportamentais como resiliência, pro atividade, engajamento e liderança, entre outras, que são tão importantes para a conquista e manutenção do emprego, tornam-se ainda mais apreciadas nesta fase de crise econômica.

De acordo com o sócio-fundador da empresa de mentoria para executivos CEOlab, Ronaldo Ramos, toda crise é uma oportunidade para a reflexão e o profissional deve aproveitar esse momento para rever as prioridades de carreira e renegociar.

“Mantenha os olhos abertos para as oportunidades que possam aparecer. Ter resiliência é muito importante no momento em que mudanças acontecem. Resista à frustração imediata (de perder amigos, mudar de cargo, de empresa) e se reposicione.”

Para o gerente de Território da Raízen em Curitiba, Guilherme Pavão, de 27 anos, a resiliência é a habilidade mais importante para se destacar na carreira, principalmente em momentos de turbulência. Responsável pela negociação entre empresa e postos de combustível, o jovem reconhece a importância de adaptação para a carreira.

Preciso ser resiliente. Meu dia a dia é de consultoria, preciso saber como está o desempenho em vendas, o faturamento, analisar a região, detectar e potencializar receitas.” Pavão reconhece a necessidade de se aperfeiçoar e fazer planejamento.

Segundo ele, apesar do cenário econômico, a empresa – que atua na área energética e surgiu a partir da junção de parte dos negócios da Shell e da Cosan – está em boa fase. “Eu me considero preparado para uma oportunidade em outra função ou setor e, se tiver a oportunidade, gostaria muito de participar. Eu me identifico com o valores da empresa, e já penso no futuro.”

De acordo com a gerente de Desenvolvimento Organizacional da Raízen, Beatriz Collesi, o profissional deve ser polivalente, buscar oportunidades e ter senso de protagonismo. “Em momentos de crise e incertezas, ele deve se responsabilizar pelo que faz em sua carreira, ser claro e transparente em relação às decisões que toma”, diz.

Quando a empresa está em boa situação, é comum os profissionais se fecharem no círculo de relações que mais se identificam. Em crise, essa situação de restrição de networking mostra-se limitadora, segundo a professora da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Denise Delboni.

“Tenha interesse em entender a organização inteira e demonstre competências múltiplas, que possam ser usadas em diferentes projetos e setores”, diz Denise.

Para a especialista em RH do site Vagas.com, Patrícia Sampaio, a crise pode ser uma oportunidade de alçar novas possibilidades profissionais. “Nem sempre o acréscimo de funções está atrelado a uma promoção ou aumento de salário. É importante reafirmar-se como polivalente e proativo e estar preparado para outras mudanças, inclusive migrações dentro da própria companhia.”

Com equipes menores, é necessário exercer múltiplas tarefas. Além disso, a supervisora de assessoria de carreira da Catho, Larissa Meiglin, destaca que a organização do tempo também é uma forma de melhorar as tarefas e organizá-las dentro dos prazos determinados.

Tempo. “Como a oferta de profissionais com experiência aumentou, as exigências para contratação também cresceram. Recrutadores têm valorizado ainda mais profissionais que possuem boa habilidade para gestão do tempo, já que é primordial que o desempenho desse colaborador seja excelente”, diz.

Outra questão destacada por Larissa é a busca por profissionais multitarefa. “Em tempos de crise, outra recomendação importante é ser mais flexível, sobretudo no caso de quem está desempregado.”

De acordo com o coordenador do Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas e Liderança da Fundação Dom Cabral, Anderson Sant’Anna, as empresas buscam flexibilidade e adaptabilidade. “A habilidade de adaptação é muito importante, pois se o profissional precisar voltar ao mercado, ele pode se encaixar em diferentes setores”, diz.

Capacidade de se relacionar, ser proativo, mostrar que é capaz de gerar resultados, segundo o coordenador, são competências transferíveis – que estão mais ligadas à subjetividade. “Estão vinculadas ao padrão de competitividade atual.”

O profissional deve ter atitude proativa, inovadora, dar ideias, ter capacidade de ler contextos e não se limitar ao que é prescrito. “Ter repertório amplo é moeda de troca importante nessa fase.”

Em todos os segmentos, diferenciação é uma palavra-chave, o que inclui experiência e formações múltipla. Segundo Patrícia, da Vagas.com, em situações como a atual, é necessário fortalecer a rede de relacionamento.

Para Denise, da FGV, mais do que focar em uma especialização na área profissional, deve-se procurar um setor de interesse, mesmo que se exerça uma função fora da carreira de formação.

‘Profissional flexível tem mais chance de escapar de cortes’

O gerente das divisões de engenharia, logística e TI da recrutadora Talenses Rio de Janeiro, Rodrigo Maranini, defende que em momentos de crise, os profissionais devem ir além dos próprios limites.

“As pessoas precisam se flexibilizar e aumentar o escopo de atuação. Se a empresa precisar encolher o quadro de profissionais, ela vai escolher para ficar o mais flexível, aquele que vai abraçar outras áreas e com adaptação mais rápida”, afirma.

O executivo diz que não dá tempo de esperar as coisas acontecerem, é preciso investir na carreira e estar preparado para o novo cenário de mercado. “Saber se reinventar é uma competência muito importante agora.” Nesse sentido, ele acredita que, independentemente da área de atuação, é essencial entender como fazer mais com menos e saber quais competências devem ser aprimoradas.

Para isso, na sua visão, é importante ter habilidades como ‘visão de dono’ e ser mais produtivo, já que na sua opinião, as empresas buscarão cada vez mais funcionários mais produtivos e competitivos.

“Sendo assim, os mais preparados estarão sempre atentos às mudanças do mercado, se destacarão para se tornarem melhores profissionais.”

Segundo a coach Magda de Paula, associada ao Instituto Brasileiro de Coaching, este é o momento de focar mais nas soluções. Para ela, se a proliferação do pessimismo é muito rápida, o esforço para permanecer otimista deve ser maior. Como lembra a especialista, “enquanto uns choram, outros vendem lenços”. Ou seja, o ideal é procurar soluções em vez de ater-se apenas aos problemas.

De acordo com Magda, guiar e inspirar a equipe é uma forma de manter o foco na busca por soluções. A coach lembra que se o líder apresentar um bom direcionamento, os funcionários vão segui-lo.
Dentro dessa ideia, ter objetivos concretos e realistas possibilita que cada resultado favorável seja adequadamente valorizado e utilizado como fonte de inspiração.

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