Introvertidos também podem ser grandes empreendedores

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Elizabeth Bernstein

Imagine um empreendedor típico.

O que vem à mente não é uma pessoa quieta, reservada e introvertida. Os empreendedores não deveriam ser sociáveis e exigentes — hábeis verbalmente e capazes de inspirar funcionários, clientes e investidores apenas com a força de sua personalidade? Não é à toa que o conselho para os tímidos que querem ser empreendedores sempre tem sido algo como “seja mais extrovertido”.

Agora, porém, especialistas em empresas e psicólogos estão começando a ver que essa orientação está errada. Ela desconsidera as habilidades exclusivas que os introvertidos têm a oferecer — a capacidade de se concentrar por longos períodos, a propensão para reflexão equilibrada e crítica, a aptidão de silenciosamente delegar poderes —, que podem fazer deles pessoas ainda mais adequadas para o sucesso no empreendedorismo e nos negócios que os extrovertidos.

De fato, muitos empreendedores e diretores-presidentes são introvertidos confessos ou possuem tantas qualidades dos introvertidos que eles são amplamente considerados como introvertidos.

Entre eles estão Bill Gates, um dos fundadores da Microsoft, MSFT -3.91 % Steve Wozniak, um dos fundadores da Apple, Larry Page, um dos fundadores do Google, GOOG -3.31 % Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, FB -2.46 % Marissa Mayer, diretora-presidente do Yahoo, YHOO -1.99 % e Warren Buffett, presidente do conselho e diretor-presidente da Berkshire Hathaway. BRK.A -2.17 %

Como empreendedores, os introvertidos têm sucesso porque eles “criam e lideram empresas com bastante foco”, disse Susan Cain, autora de “O Poder dos Quietos” (Editora Agir) e fundadora do Quiet Revolution (Revolução Silenciosa, em tradução livre), um site para introvertidos. No primeiro semestre deste ano, ela fundou junto com outras pessoas o Quiet Leadership Institude (Instituto de Liderança dos Quietos, em tradução livre), uma consultoria que visa ajudar as empresas a utilizar o talento dos empregados introvertidos e ajudá-los a descobrir seus pontos fortes natos. Entre os clientes da consultoria estão a General Electric, GE -3.79 % Procter & Gamble PG -2.50 % e a NASA.

Outra grande vantagem, segundo ela, é que os introvertidos não estão interessados na liderança por glória pessoal, e eles passam longe do culto da personalidade. Para eles, a ênfase está em criar algo, não em si próprios.

“Por sua natureza, os introvertidos tendem a se interessar com fervor por apenas uma, duas ou três coisas por toda sua vida”, diz Cain. “E, no decorrer de sua paixão por uma ideia, eles irão construir alianças e redes de relacionamento, adquirindo experiência e fazendo o que for necessário para que fazer com que ela se realize.”

Aqui estão alguns dos traços comuns à maioria dos introvertidos que os tornam especialmente adequados ao empreendedorismo.

Eles gostam de estar sozinhos

Muitas pessoas acreditam que os introvertidos, por definição, são tímidos e os extrovertidos são desinibidos. Não é verdade. Os introvertidos, que são quase 35% da população de acordo com especialistas, obtêm sua energia e processam informações internamente. Alguns podem ser tímidos e alguns podem ser desinibidos, mas todos preferem ficar sozinhos ou em pequenos grupos, e frequentemente se sentem esgotados no caso de muita interação social ou se estão em grandes grupos.

Os extrovertidos se energizam quando estão com outras pessoas e normalmente processam informações externamente, o que significa que preferem falar por meio de problemas em vez de refletir sobre eles sozinhos e às vezes formam opiniões enquanto falam.

A maior parte da população é composta por pessoas que têm características tanto dos introvertidos como dos extrovertidos.

Por ficarem confortáveis sozinhos — e por pensarem antes de falar — os introvertidos podem ter uma vantagem ao formular um plano de negócios ou criar novas estratégias depois de a empresa ser lançada.

Eles não precisam de afirmação externa

Outra importante característica dos introvertidos é que eles tendem a confiar em sua própria bússula interna — não em sinais externos — para saber que estão tomando a decisão correta ou fazendo um bom trabalho. Isso dá a eles uma vantagem de várias formas.

Eles, por exemplo, geralmente não procuram alguém para saber se uma ideia é boa. Eles tendem a refletir sobre a ideia antes de falar sobre ela com alguém e confiam em seu próprio julgamento sobre se vale a pena levá-la adiante. Seguir seus próprios instintos também os ajuda a permanecer focados em um empreendimento.

Eles são ouvintes melhores

Os extrovertidos falam demais. E com toda essa falação, às vezes esquecem de permitir que os outros falem, uma característica que pode ser especialmente comprometedora para o relacionamento com fregueses ou clientes. “Eles podem ter essa ideia de que eles possuem o dom de oratória, então podem fazer suposições e dizer aos clientes o que eles precisam, em vez de perguntar aos clientes”, diz Beth Buelow, palestrante e fundadora do The Introvert Entrepreneur, um site para introvertidos.

Os introvertidos não têm esse problema — eles esperam para falar até que tenham algo a dizer. Não porque sejam tímidos e ineptos socialmente, diz Buelow, mas porque estão refletindo e processando pensamentos.

Como consequência, os introvertidos são excelentes ouvintes, observadores e sintetizadores, diz ela. “Eles podem fazer conexões inesperadas porque eles são mais focados no recebimento de informações do que na distribuição de informações. E eles são frequentemente muito bons em conectar pontos discrepantes.”

Eles são mais realistas

Os extrovertidos são orientados para procurar o lado positivo — para promover espalhafatosamente o projeto em que estão trabalhando e congregar seus seguidos. Mas isso pode levá-los a ignorar a realidade da situação. Os introvertidos tendem a ser mais críticos, diz Laurie Helgoe, autora de “Introvert Power: Why Your Inner Life is Your Hidden Strength” (A força dos introvertidos: Por que sua vida interior é sua força escondida, em tradução livre), e professora assistente do departamento de psicologia e serviços humanos da Faculdade Davis & Elkins. Como resultado, eles são mais realistas quanto se trata de avaliar feedback e analisar informações.

Mas é hora de reconhecer que os traços de introversão foram sempre muito desvalorizados no mundo corporativo — e agora pode ser o momento dos extrovertidos tentarem ser mais como os introvertidos.

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