5 cliques para não arruinar a carreira na era das fake news

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O que a deputada Cristiane Brasil e a juíza Marília Castro Neves têm em comum? Além da carreira pública, ambas arranharam suas reputações profissionais com opiniões e posturas disseminadas na web e que ganharam ampla repercussão por conta de fake news (notícias falsas) ou por postagens indecorosas. Atitudes como essas podem, de alguma forma, comprometer a imagem e carreira de um profissional.

“Se elas estivessem atuando no ambiente corporativo, haveria uma grande possibilidade de ambas serem demitidas. Os profissionais devem compreender que são os ativos mais preciosos das companhias e quando estão nas redes sociais, devem tomar o máximo de cuidado. Entrar em espaços de conteúdo duvidoso, compartilhar notícias falsas e até participar de debates políticos de baixo nível são posturas que devem ser abandonadas. Todos são livres para pensar e agir como quiserem.

A liberdade de expressão é um direito constitucional, dentro ou fora do trabalho. E por isso mesmo é recomendável que um profissional seja reconhecido por atitudes positivas e não por polêmicas e postagens duvidosas. Quanto maior for a exposição de uma pessoa nas redes sociais, mais vulnerável ela fica”, ensina Roberto Picino, diretor executivo da Michael Page, um dos maiores players mundiais em recrutamento especializado para alta e média gerência.

O consultor da Michael Page preparou algumas dicas sobre os cliques – ações com um toque no teclado – que serão decisivas para construir (ou começar a regenerar) uma reputação digital mais inteligente, favorável aos negócios e saudável à carreira.

Reflexão imediata: como rever/melhorar a presença profissional online?

Para começar, tudo o que o profissional precisa fazer é uma pequena mudança nos seus perfis. “Esta revisão pode ser feita de modo rápido e dinâmico, ou seja, em pouquíssimo tempo, e a presença nas redes sociais será ampliada. É preciso olhar de modo crítico para as informações compartilhadas e analisar se o conteúdo é favorável/coerente com o seu discurso profissional, se é favorável a novos negócios ou se, no mínimo, é agradável em uma leitura livre, por exemplo, dentro de uma sala de reunião ou processo de recrutamento. Mas para que o processo seja efetivo, é importante repeti-lo e melhorá-lo a cada seis meses”, afirma Roberto Picino.

Primeiro clique: quem é você no maior buscador de dados do mundo?

Pesquise seu nome no Google com e sem aspas. Talvez você precise direcionar o nome da sua cidade, as empresas para as quais você já trabalhou e as escolas por onde passou. Tudo por uma busca completa. “Veja em quais páginas você está associado: cursos, grupos de estudo, fóruns de debates, reclamações de serviços online, atividades esportivas, de lazer etc. Verifique quais são os temas mais lembrados quando alguém está lendo sobre a sua vida/carreira na internet”, diz o especialista em carreiras da Michael Page.

Segundo clique: uma imagem (na web) vale mais do que 1000 likes? Sim

Verifique as imagens do Google! Além de muito importante, é mais fácil filtrar imagens do que milhares de links. “Na internet as imagens são quase determinantes para a boa/má reputação de alguém. Não é um processo justo, mas é a realidade. Portanto, cuidado ao subir fotos em redes sociais que podem atrelar imagem pessoal a qualquer tipo de desconforto social, cultural, político etc. E mais, às vezes, uma foto em um momento de descontração familiar ou happy hour profissional pode expor terceiros, o que é pior ainda”, reflete Picino.

Terceiro clique: ser ou não ser, discreto ou falastrão?

Aposta na discrição Faça uma pesquisa nas redes sociais usando seu nome de usuário. Veja tudo: Twitter, LinkedIn, Facebook, YouTube e Instagram. “Analise se há incongruências em suas falas nas diferentes redes sociais. Você não pode ser um executivo no Facebook e um militante polêmico no Twitter. Não é razoável compartilhar conteúdo de qualidade no LinkdIn e xingar pessoas em fóruns do Youtube. Parece engraçado, mas a web é um campo aberto. É preciso ser coeso. De novo, ninguém deve criar personas para a carreira. Não é isso. O mais importante é ser criterioso com a vida profissional. Quem gosta e precisa se expor, o faça com qualidade, orientação e bom senso. Quem não precisa da web para nenhuma extensão profissional, seja discreto”, afirma o headhunter.

Quarto clique: já atualizou a sua nova versão? Valorize os seus avanços

Modifique o que você encontrou desatualizado, desinteressante ou simplesmente desconexo com o seu atual momento de vida. “Talvez você já tenha publicado algo embaraçoso e este é o momento de apagar. Com certeza, você amadureceu desde que você criou as suas contas. Observe que o Facebook possui opções para remover conteúdo da conta. Se quiser começar do zero, simplesmente exclua seu perfil e crie um novo. É possível que isso seja o mais adequado. Novamente, não é preciso se livrar das memórias, pelo contrário, mas é fundamental ter espírito de curador e selecionar o que há de melhor, ou no mínimo, menos constrangedor para você, sua família e colegas de trabalho. Conte ao mundo sobre os seus cursos, livros, filmes, viagens e experiências marcantes. Mostre o seu crescimento – isso não é propaganda – é uma atitude positiva e madura diante das redes sociais. Atribua informação à sua rede. Você vai atrair pessoas, empresas e até futuros negócios pela porta da frente da sua home de talentos”, ressalta Picino.

Quinto clique: seja um facilitador. Deixe em off o “especialista-de-tudo”

Quantas vezes você opina sobre o que não sabe nas redes sociais? “É natural que a gente queira falar abertamente sobre os temas que nos tocam. Mas é péssimo quando assumimos o papel de oráculos donos da razão. Vivemos a era dos influenciadores digitais. Mesmo que não queiramos participar disso com intensidade, é importante adotar a postura do facilitador. Aquele que compartilha coisas interessantes, valoriza o trabalho dos colegas (elogiando, dando “likes”) está sempre pronto para oferecer orientação, seja no grupo do WhatsApp ou em qualquer outra plataforma pública e digital. O profissional de hoje precisa facilitar o fluxo de dados, conceitos e temas de relevantes pelos seus canais on-line. Na dúvida, facilite, jamais complique. Ninguém é dono da verdade. Críticas construtivas são bem-vindas, mas exposição irônica, mal embasada e, ás vezes, leviana e maldosa, não têm mais espaço na web atual”, conclui o diretor executivo da Michael Page.

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